NUNCA É TARDE PARA DAR UM PASSO EM FRENTE
Foi sempre um lema que norteou a minha vida.
E se acrescentar a este conceito aquele velho provérbio " Vale mais tarde que nunca" acho que chegou a hora de avançar. O que me proponho com este novo espaço do meu Blog? Em primeiro lugar ressuscitar um "cantinho" da minha Página Feminina que durante anos mantive viva na imprensa regional. Era como uma janela de observação real, assim mesmo, entre duas bicas, onde eu bebia a matéria, o assunto real, nas conversas que se entre cruzavam á mesa do café, que depois revertia para pequenos comentários do dia a dia.
O tempo correu. Muitos hábitos mudaram mas aquela sociabilização que se instalava entre amigos e quantas vezes meros conhecidos que desabafavam com quem tinha o dom de saber ouvir, ainda se mantém.
São "desabafos reais" que vêm da mesa ao lado...que ouvimos sem querer, e que escorrem do nosso ouvido, pela caneta, até chegarem através das palavras da reflexão e da interpretação de quem escreve, ao domínio público.
E prontas as apresentações passemos a factos.
SE DÓI!!!
O fim de uma relação é sempre difícil e deixa marcas.
E, quanto mais repentina for pior. Nunca estamos preparados: Ninguém está preparado.
Todos acreditamos que situações destas só acontecem aos outros. Arranjamos desculpas. Apontamos culpados: Sugerimos maneiras de remediar. Inventamos esperanças para animar quem está desesperado.
Mas nunca nos dizemos: amanhã posso ser eu. Porque não? É uma situação tão recorrente nos tempos que correm. E quando, por ironia do destino - todos nos julgamos a salvo e tão fortes! - um dia, somos nós os actores dramáticos desta tragicomédia, é como se de repente acontecesse um tremor de terra.
Sacode-nos sem percebermos o que está a acontecer e, na maior parte dos casos não há sobreviventes ilesos. Há sempre feridos com gravidade, com lesões profundas que ficam para toda a vida.
Mas o pior é que há um morto!
O que morre abruptamente é sempre o mais inocente: o amor!
Nada a fazer. Fica a dor. Fica um sentimento de perda irreparável.
É como se nos arrancassem um pouco de nós.
Quando o processo de destruição é lento, a dor parece menor. Vai-se arrastando, agarrado como uma lapa se agarra á rocha enquanto espera que o temporal passe mas nem sempre passa. O amor fica doente. O processo vai avançando como um cancro que não tem cura.
Não há panaceias que o tratem e os protagonistas vão devagarinho digerindo a perda irremediável, sem esperança, acomodando-se á ideia de que algo que muito queríamos, se vai perder, mais dia, menos dia..
Um amigo dizia num desabafo: " há momentos em que pedimos , a todos os santos, que "ele" morra depressa para acabar com esse sofrimento...´quase nos apetecia cometer eutanásia que em vez dum crime seria um acto de amor"..
E enquanto o tempo se arrasta apegado a um amanhã que cada vez fica mais longe vamo-nos tornando íntimos dos verbos perder, separar, ter, ver, abraçar, beijar, possuir e vamo-nos conformando e
quando a separação acontece já não dói...não machuca...não faz mossa. E num pronúncio de verdadeiro amor respiramos , leves como pluma que o vento leva, olhamos para dentro de nós e silenciosamente rezamos um vai com Deus...
E ficamos serenos... conformados...sem mágoa como dois amigos que se apertam as mãos num "até breve" que não voltará.
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